sexta-feira, 28 de maio de 2010

Do Pessoa

Quanto a mim, o amor passou! Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar e me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos um perante o outro, como dois conehcidos que se amaram muito quando meninos, embora na vida adulta sigam outras afeições, conservam no escaninho da alma, a memoria do seua amor antigo e inúltil.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Pergunta que nao cala


Por que Itabira não faz, anualmente, um seminário literário sobre Carlos Drummond de Andrade, filho ilustre e um dos maiores poetas de Língua Portuguesa? O evento reuniria estudantes, palestrantes, professores, entre outros, que pudessem trabalhar aspectos sobre sua obra. Itabira só ganharia com isso.

O que Monlevade espera de nós?


O que podemos fazer por Monlevade? O que podemos fazer para que a cidade se desenvolva, cresça e prospere? O que fazer para melhorar o trânsito, para fomentar o transporte publico, para resolver o problema do estacionamento no centro da cidade? O que fazer para que Monlevade cresça e apareça?
O que podemos fazer para melhorar a saúde publica? O que fazer para evitar as enchentes na época de chuvas pesadas? O que fazer para evitar desastres maiores do que os que já ocorreram? O que fazer para as pessoas começarem a separar o lixo? E para evitarem o desperdício de água?
O que fazer para atrair mais investidores para o município? O que fazer para melhorar a estrutura da cidade? O que fazer para gerar mais emprego e renda? O que fazer para que o comercio se mantenha firme, competitivo e com ofertas sempre interessantes para o município e consumidores em geral?
O que fazer para que a Cultura se torne um ponto forte? Como fomentar os artistas locais, fortalecendo as atividades e criando oportunidades para o desenvolvimento do setor? Literatura? Teatro? Artes plásticas? E os costumes locais, como podem ser preservados e valorizados? Onde construir um parque de exposições decente, para festas como cavalgadas e aniversário da cidade, como os que já existem em Itabira, em São Domingos do Prata ou São Gonçalo do Rio Abaixo?
O que fazer para valorizar os profissionais da cidade? O que fazer para criar opções de lazer e de entretenimento? O que fazer para que haja mais investimento na formação de jovens? E para a capacitação dos profissionais que estão no mercado há anos mas que não tem tempo de se atualizar? Como oferecer mais saúde?
O que se pode fazer para que a cidade entre na rota do crescimento? O que fazer para que Monlevade se torne referência em algum setor? Como transformar as carências em projetos importantes? Como atrair recursos e verbas para o desenvolvimento? Como promover a integração com outras cidades, trocando experiências, produtos e estreitando os laços?
O que fazer para que as BR381 seja duplicada o quanto antes? O que fazer para que haja mais vontade política de todos os nosso representantes? Como acelerar o progresso? Monlevade está pronta para a duplicação da usina? Ela quer isso mesmo? A comunidade está inteirada para saber exatamente do que se trata? O que Monlevade espera de nós?
Quem souber as respostas que as apresente. Alguém se habilita?

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Poema

Nao sei sentir mais o que que queria ouvir

Agora, há silêncios e passados sobre mim

De tudo, nada restou além do amor

que é também uma espécie de todas as coisas

terça-feira, 20 de abril de 2010

Como se fosse a última vez

Ele não pensava que poderia amá-la do jeito que a amou um dia, novamente. Passados anos de casados, naquela tarde de sexta-feira, fora acometido de uma repentina paixão pela esposa. Estava no escritório diante de burocráticas e chatíssimas pendências, quando veio à sua mente, a lembrança dela. A imagem da mulher saindo do banho, enrolada na toalha cotidiana a caminho da penteadeira, onde se sentaria para o ritual de passar cremes e mais cremes diante do espelho deixou-o deslumbrado.
Por um instante, parou com a caneta na boca e ficou sorrindo sozinho olhando para a janela à sua frente e enxergando a cena diária da esposa saindo do banho. Não tinha nada de diferente nessa imagem. O que o deixou perplexo e com o coração acelerado pensando nela, foi ter se dado conta de que já havia passado 20 anos ao lado dela e ele nunca percebera no quão intensa era a beleza feminina da esposa ao sair do banho, enrolada numa toalha.
Seus olhos brilhavam e ele sentia as mãos suadas, ao distinguir um a um os cheiros do seu cabelo, da sua pele ainda úmida do banho misturando à textura macia dos cremes. Suas mãos deslizando pelas pernas, alisando a panturrilha e a coxa enquanto camada após camada do macio perfumado hidratante tornava ainda mais viçoso o seu corpo. Em seguida, a mulher secava os cabelos, num gesto contínuo e quase sensual, da maneira que só as mulheres sabem.
Eram quinze para as quatro da tarde e ele ali no escritório a lembrar-se dela. Naquele momento, esqueceu-se dos prazos vencendo e decidiu ir para casa para amá-la e ser feliz. Era preciso fazer isso: abraçá-la e beijá-la como se fosse a última vez. E assim fez. Deixou o escritório sob a luz forte da tarde e caminhou para o carro. Sim. Ia para casa encontrá-la. Pensou em avisá-la, mas preferiu fazer uma surpresa.
Assim que ligou o veículo, colocou para tocar uma canção da qual gostava. Fernanda Porto, numa versão moderna trazia à tona um antigo sucesso de Tom e Vinícius imortalizado por Elis. “Você que é feita de azul, me deixa morar nesse azul, me deixa encontrar minha paz, você que é bonita de mais”, cantava junto, o s versos de “Só tinha de ser com você”. Parou o carro em um sinal de trânsito. Do outro lado da rua, ia uma mulher caminhando com seu cachorro a caminho do parque. Ele achou a imagem bonita. Olhou mais a frente e um casal adolescente tomava sorvete de mãos dadas. Do outro lado, uma menina passava correndo. Ele gostava das cenas que via. Na verdade, estava apaixonado e achava tudo bonito, tudo fantástico, tudo com o ar de sobrenaturalidade. Decidiu parar para comprar um presente para ela. Mais prático, foi a uma floricultura e comprou um buquê enorme de rosas vermelhas. Voltou ao carro e foi a mil para casa.
Ao chegar em casa estacionou o carro e entrou depressa. Antes que a esposa questionasse o por quê dele estar ali àquela hora, beijou-lhe a boca com a vontade dos que se amam e que não se vêem há muito tempo. Surpresa, a mulher não entendeu, mas gostou do carinho ousado naquela autura da vida. Ele não disse nada. Apenas sorriu. Ela sorriu de volta. Então ele disse a ela que em vinte anos, ela nunca estivera tão bonita. Ela sorriu do galanteio. A partir deste momento, não se desgrudaram mais. E os dois, após tanto tempo de casado, se abraçaram e se beijaram e se amaram intenso a tarde toda como dois jovens amantes. A velha chama se reacendera nos seus corações cinqüentenários. E surgira a partir de um instante, a partir de um segundo que trouxe à tona toda a vivacidade de um tempo que passara. E voltaram a namorar, com uma necessidade tamanha um do outro, como se fosse a última vez que o fizessem

segunda-feira, 22 de março de 2010

Continho


Um escritor que morava sozinho na cobertura de um flat, pensou, seriamente, o que aconteceria se ele se atirasse lá do alto e caísse no meio da avenida. Em princípio, achou que seria doloroso. Depois, passou a imaginar que, na verdade, não iria doer nada.

Em que pensaria quando estivesse na queda? Daria para dançar um balé aéreo, antes de se diminuir no solo, achatando-se como massa de pastel na parede? Será que alguém teria dó dele? Ficou assim, por cinco segundos, sentindo a vertigem típica dos que têm medo de altura, mas que têm vontade de chegar da sacada de janelas para ver os carros passando lá em baixo.

Teve a certeza de que iria cair, quando decidiu pisar o ar e sentir a maciez do espaço vazio. Escorregou e ficou com metade do corpo pendurado e a outra, para dentro da sala carpetada do flat. O coração à boca batia forte e as mãos que tentavam segurar a beirada da janela amiga começaram a suar. A tontura aumentou. “Meu Deus, não quero morrer assim”, foi o que pensou naquele momento. Então, com um impulso sobre humano, caiu na sala feito um peixe que vai do aquário ao tapete. Levantou, arrumou o cabelo. Ainda trêmulo, pegou uma dose de uísque.
Bebeu depressa, respirou e decidiu ir escrever uma crônica.

Eu quero é botar meu bloco na rua

Texto publicado na Revista A Chance, dos amigos Matheus e Afonso!

Todos os anos, na época do carnaval, em Monlevade, é a mesma coisa. Muita gente viaja, outras pessoas seguem para as cidades vizinhas, uma parcela fica aqui mesmo, por conta do à toa... E fica no ar uma pergunta que nunca é calada: Por que não há carnaval na terra do francês?
Não sou eu quem vai tentar resolver essa questão. Mas vou dar alguns pitacos. Afinal, acredito que todos podem ganhar com a festa mais popular do Brasil. Inclusive Monlevade. Por que não? Além disso, penso que uma das formas mais interessantes, divertidas e funcionais para fomentar o carnaval é a criação de blocos.

O formato é simples e envolve a participação popular. Cada bairro poderia montar o seu e organizar um ponto de encontro onde o bloco pudesse se concentrar antes do desfile, que poderia ser até um outro ponto estratégico do bairro. Tudo, claro, com a maior segurança, seguindo o lema da diversão sempre responsável.

Em algumas cidades, como São João Del Rei, por exemplo, o carnaval é assim há mais de trinta anos e funciona muito bem. Um dos grupos mais conhecidos no carnaval de Minas, a Batucada, de Diamantina, também é uma variação de um bloco carnavalesco.

Os blocos fazem barulho, animam e garantem a folia. Não há bandas tocando em palcos, não há também tumulto. Cada dia, um ou mais bairros apresentam o seu bloco, cada qual com a sua bateria, suas fantasias e sua animação. Desta forma, todos participam da festa: turistas vindos de longe, moradores, visitantes de cidades vizinhas. Cada bloco tem o seu enredo e a bateria comanda a diversão tocando sambas, marchinhas e sucessos radiofônicos. Não tem erro: é sempre um sucesso.

Esse modelo de festa popular funciona por vários motivos. Vou citar alguns: A prefeitura dá o suporte de infra-estrutura, como decoração, disponibilização de banheiros químicos e o controle do trânsito. Assim, os gastos com o Carnaval são mínimos. Outro ponto positivo, é que ninguém quer ver lixo na porta de sua casa ou briga. Por isso, a festa seria limpa e sem tumultos, já que os blocos iriam sair dos bairros. Ainda um terceiro fator, seria a participação dos donos de bares e restaurantes que poderiam fomentar os blocos, participando da concentração e ajudando na organização.

Fico imaginando um bloco do bairro Republica, concentrando num sábado de carnaval, a partir das 14h, em frente ao Boti Peixadas, por exemplo. Às 18, o bloco desceria a avenida Castelo Branco, com toda a sua animação. Os moradores chegariam às sacadas, brincando com serpentina e confetes. Uma bateria daria o ritmo, até a dispersão, na Praça Onofre Ambrósio.
Depois, cada qual seguiria para suas casas. Outros bairros fariam o mesmo, em outros dias de festa, com os bares famosos da cidade servindo de ponto de concentração: Yuris Bar, no Mangabeiras, o Pé-de Porco, no Santa Bárbara, o Sucupira, na área central, o Sabor da Vila, no Vila Tanque e assim por diante.

De toda forma, a idéia dos blocos seria uma opção de carnaval em Monlevade. Com o passar dos anos, a festa se tornaria tradição e a cidade só teria a ganhar. E então, quem compra a idéia?