terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

De volta

Depois de muito trmpo, estamos de volta. Estou parecendo aqueles pescadores que inventam mentiras em suas rodas de conversa. Na verdade, até me sinto assim, meio pescador de ilusões, que acredita nos sonhos que se tem antes de acordar....
Jim Morrison, o líder psicodélico do The Doors, afirmava que vivia no subconsciente, como um bom freudiano que era. Eu nao chego a tanto, mas acredito que sonhar não custa nada (ou quase nada) e, assim, sigo os dias, sempre em frente e sem ter medo a perder.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sabedoria Popular - Trechos de Canções da MPB que são filosofia pura

I
Não pode alcançar os astros
Quem leva a vida de rastros
Quem é poeira do chão...
(Klecius Caldas & Armando Cavalcanti )

II
O ouro afunda no mar
madeira fica por cima
ostra nasce no lodo
gerando pérolas finas
(Ederaldo Gentil)
III
Eu tava junto com os macacos na caverna
Eu bebi vinho com as mulheres na taverna
E quando a pedra despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
(Raul Seixas, Paulo Coelho)
IV
Toda forma de amor
É uma forma de morrer por nada
(Humberto Gessinger)
V
E é isso que é preciso
Coragem e humildade
Atitude certa
Na hora da verdade...
(Marcelo D2)

Drummond!

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Humanos

Machado de Assis escrevia romances sobre a humanidade.
Carlos Drummond fazia poemas com doses profundas de humanidade.
Vinícius de Moraes amava todas as mulheres, como se amasse toda a humanidade.
Clarice Lispector era a própria humanidade.
E nós, pobres diabos? Onde está a nossa porção de humanidade?

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Literatura

No livro "50 Clássicos que Não Podem Faltar na Sua Biblioteca" (Verus Editora), a escritora, editora e crítica literária Jane Gleeson-White reuniu as maiores obras da literatura mundial, como "Ilíada" (Homero) e "O Idiota" (Fiódor Dostoiévski).
Este guia acessível mostra o contexto histórico que envolvia cada uma destas grandes publicações, com comentários sobre os enredos e personagens, dados biográficos e outras importantes informações.
Abaixo, veja o sumário completo do livro, que também inclui títulos brasileiros, como "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, e "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa.
*
Sumário
1. "Ilíada", de Homero


2. "Odisseia", de Homero


3. "Eneida", de Virgílio


4. "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes


5. "Robinson Crusoé", de Daniel Defoe


6. "Tom Jones", de Henry Fielding


7. "Persuasão", de Jane Austen


8. "O Vermelho e o Negro", de Stendhal


9. "O Pai Goriot", de Honoré de Balzac


10. "Jane Eyre", de Charlotte Brontë


11. "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë


12. "Moby Dick", de Herman Melville


13. "A Casa Soturna", de Charles Dickens


14. "Madame Bovary", de Gustave Flaubert


15. "O Fauno de Mármore", de Nathaniel Hawthorne


16. "Guerra e Paz", de Leon Tolstói


17. "O Idiota", de Fiódor Dostoiévski


18. "O Primo Basílio", de Eça de Queirós


19. "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis


20. "Pan", de Knut Hamsun


21. "Judas, o Obscuro", de Thomas Hardy


22. "Coração das Trevas", de Joseph Conrad


23. "As Asas da Pomba", de Henry James


24. "Howards End", de E. M. Forster


25. "Morte em Veneza", de Thomas Mann


26. "A Época da Inocência", de Edith Wharton


27. "Mulheres Apaixonadas", de D. H. Lawrence


28. "Ulisses", de James Joyce


29. "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald


30. "O Processo", de Franz Kafka


31. "O Sol também Se Levanta", de Ernest Hemingway


32. "Narciso e Goldmund", de Hermann Hesse


33. "Enquanto Agonizo", de William Faulkner


34. "As Ondas", de Virginia Woolf


35. "O Estrangeiro", de Albert Camus


36. "O Apanhador no Campo de Centeio", de J. D. Salinger


37. "Lolita", de Vladimir Nabokov


38. "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa


39. "On the Road - Pé na Estrada", de Jack Kerouac


40. "O Gattopardo", de Giuseppe Tomasi di Lampedusa


41. "O Tambor", de Günter Grass


42. "Coelho Corre", de John Updike


43. "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez


44. "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector


45. "À Espera dos Bárbaros", de J. M. Coetzee


46. "Os Filhos da Meia-noite", de Salman Rushdie


47. "Meridiano de Sangue", de Cormac McCarthy


48. "Amada", de Toni Morrison


49. "O Evangelho Segundo Jesus Cristo", de José Saramago


50. "Submundo", de Don DeLillo

( Informações retiradas do site: http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/ult10082u686101.shtml)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sonhos

Era uma vez um sonho... E os sonhos nao envelhecem, como cantaram os poetas mineiros. Mas, se nao envelhecem, por que os sonhos acabam passando? Alguns insistem em dizer que eles ficam guardados nalgum lugar em que nao ousamos tocar. Os sonhos sonhos são. E, assim, eles permancem em seu estado mais puro, imaculados como são também os estados de graça.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Ao som de Blackbird


Esta crônica é dedicada a Frederico Miranda,monlevadense que vive em Belo Horizonte


Quando o jovem que tocava piano sentou-se na cadeira do avião que o levaria para Paris, ele fechou os olhos e ligou o MP3 player para ouvir Beatles. Ele sabia que tinha muito que pensar antes de desembarcar na capital francesa. O jovem iria estudar música em um conservatório da cidade luz e sentia, no peito, uma ponta de angústia abalar-lhe o coração.
Mas o que mais o perturbava, não era o que teria pela frente, nem os eventuais problemas com o idioma, com o novo lar ou com a falta de trabalho em um país estrangeiro. Nada disso o incomodava. O que mais o deixava triste e o fazia abandonar o Brasil por uns tempos, era tentar escapar de si, mais precisamente, do desejo de ter conhecido um tio, morto precocemente, antes de ele ter nascido.
Desde criança, sempre ouvira a mãe contar-lhe, com um fio de lágrima no canto do olho a triste história do irmão. O tio, que, aos 19 anos, viajou com os amigos e a família para a praia, a fim de comemorar o novo emprego. Ele iria para a Itália, trabalhar na sede da Fiat. Tudo estava perfeito, mas aconteceu o pior. Ao ver uma menina se afogando, ele não pensou duas vezes em salvá-la. Por ser um bom nadador, conseguiu tirá-la do fundo das águas, mas, já por estar exausto, não resistiu à correnteza e sumiu no mar. O corpo foi achado dois dias depois. Pelo pai, que não descansou até encontrá-lo.
O jovem pianista não sabia o motivo da fascinação pela história do irmão da mãe, que era, sem dúvida, seu herói familiar. No avião, que já taxiava na pista, ele ouvia os quatro de Liverpool entoarem clássicos. A mente ia longe e esbarrava na lembrança do tio. Imaginava-o salvando a menina e não tendo forças para voltar à superfície. O que será que passou na cabeça dele naquele instante, em que era sugado para o mar adentro? Será que ele pensou em algum amor que ficava para trás? Será que ficou com medo, enquanto lutava em vão contra as ondas fortes? Será que chorou em meio do azul e do sal?
Tudo isso girava na cabeça do jovem pianista, que agora ouvia Blackbird. Ele sabia que o tio também gostava desta música. A avó falara, em certo dia de almoço, ao ouvir o neto tocar a canção no piano, que com o primeiro salário, o tio comprara um disco de capa branca e não parava de ouvir aquela melodia lenta e triste. O jovem pianista sentia uma angústia profunda quando a ouvia. Lembrava-se daquele e sentia o desejo de tê-lo conhecido consumir-lhe o coração.
Ele agora viaja para outro país e tem, no peito, a mesma dor de vida que atingia o tio anos atrás. O pianista não sabe, mas o herói-familiar amava cantar, ainda que com um inglês incorreto, a melodia beatle que ouvia ele, agora, dentro do avião. A aeronave começou a ganhar os ares e para trás, Belo Horizonte ia ficando, menos aquela lembrança...
O jovem recorda a avó contando que, após a morte do filho, os discos dele ficaram guardados em uma caixa, no sótão da antiga casa. Ele nunca tivera coragem de ir lá. Sabia que poderia encontrar raridades, mas preferia não tocar nos vinis organizados por ele. Na verdade, agora que voava para longe, ele se questionava o porquê de não ter violado a caixa. Por que não ter escutado os discos?
O pianista nem desconfiava que tinha a mesma vontade de viver intensamente, sem ligar para amarras, como o tio tivera um dia. A vontade de não ter destino certo. Ambos pensavam que a vida é, de fato curta, para ser pequena e que precisa ser aproveitada antes do tempo final, ser ouvida antes do último acorde do baile.
Agora, entre as nuvens, Blackbird já tinha acabado, mas ele resolve repeti-la. Gosta da entonação da voz, gosta do violão inicial e sente-se em apuros com o refrão forte. Mas, ainda assim, para ele, a canção é uma forma de aconchego. Ele olha para as nuvens abaixo do avião e sonha de olhos abertos com os gestos do tio. Imagina que os dois estão em um piano bar, falando da vida que gostariam de ter vivido e das diferenças do tempo de cada um. Ao som de Blackbird, ele vê o céu de dentro e acha que, assim, está mais perto dos olhos e do coração daquele que não mais está aqui.