A seguir, algumas passagens bonitas sobre o amor, em homenagem ao dia dos namorados:
Pra Poder Te Amar
(Martinho da Vila)
O amor não tem cor
O amor não tem idade
O amor não vê cara
Nem religião
Não faz diferença
Do rico e do pobre
O amor só precisa
De um coração...
O amor não tem tom
Nem nacionalidade
Dispensa palavras
Basta um olhar
O amor não tem hora
Nem fórmula certa
Não manda recado
Chega prá ficar...
O amor entrou na minha vida
Quando te encontrei
Olhei no teu olhar
E me apaixonei
Foi tanta emoção
Não deu prá segurar
O amor contigo ao meu lado
É cada vez maior
Quero me batizar
No sal do teu suor
E ter a vida inteira
Prá poder te amar...
"Quem não tem namoradoé alguém que tirou férias não remuneradas de si mesmo."
Arhur da Távola
"Meu paletó enlaça teu vestido e meu sapato ainda pisa o teu"
(Chico Buarque)
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Declaração (para Renata, é claro)
Eu nasci para amar seus gestos de flor quando acorda,
Para sentir na saliva, a sua, com gosto de boca que anuncia a vida
Eu te amo porque você é assim,
Meio um pouco de tudo o que quero
Meio cheia das coisas que espero
Eu nasci para te amar pra sempre
Porque não há razão de ser se não há seu amor
De luz, de mar, de língua de sol
Lambendo a manhã fria
Eu te amo de amor de todos os dias
Numa dedicação diária de sentimento
Eu te amo de um amor intenso
de todos os momentos
eu te amo de te amar
e te amar, certeiro, como um rio
ama ir ao encontro do mar
Para sentir na saliva, a sua, com gosto de boca que anuncia a vida
Eu te amo porque você é assim,
Meio um pouco de tudo o que quero
Meio cheia das coisas que espero
Eu nasci para te amar pra sempre
Porque não há razão de ser se não há seu amor
De luz, de mar, de língua de sol
Lambendo a manhã fria
Eu te amo de amor de todos os dias
Numa dedicação diária de sentimento
Eu te amo de um amor intenso
de todos os momentos
eu te amo de te amar
e te amar, certeiro, como um rio
ama ir ao encontro do mar
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Lançamento do Cd Serenata
Meu bróder Martino vai promover o lançamento do Cd Serenata, em Alvinópolis, em noite romântica do Dia dos Namorados. Tudo a ver: Friozinho e música aconchegante para esquentar os corações apaixonados. Vale a pena prestigiar o evento que será no Nick´s Bar. Imperdível, até porque depois, vai rolar uma serenata pelas ruas da cidade, como se fazia antigamente.
Mais informações no blog: http://alvinopolisquepensa.blogspot.com
Não acho graça em Susan Boyle
Estou atrasado eu sei. Todo mundo já falou dela e nem sei se ela ainda é assunto. Mas não poderia me omitir a respeito de Susan Byle. E afirmo: eu não acho a menor graça nela. Para mim, ela não tem nada demais. Para mim, ela nâo passa de uma cantora que tem a voz boa e que tornou-se a bola da vez na era das celebridades instantaneas.Querem apostar que daqui a pouco minguém mais se lembra dela. Quanto tempo? Dois meses é muito.
Está certo que a mulher é cantora há muitos anos e que há tempos tenta o sucesso no mundo da música. Mas ela só se tornou grandiosa por conta da aparição naquele programa de calouros inglês.Aliás, programas de calouros e reallity shows que promovem anonimos ao estrelato estão mesmo na moda.
Não gosto de Susan Boyle. E ponto final. Prefiro outros cantores que poderiam mesmo alcançar o sucesso: Ana Cristina, Aline Calixto, Pedro Morais, Makely Ka, Kristoff Silva, Weber Lopes, Maurício Tizumba, Tambolelê, entre outros tantos...
Está certo que a mulher é cantora há muitos anos e que há tempos tenta o sucesso no mundo da música. Mas ela só se tornou grandiosa por conta da aparição naquele programa de calouros inglês.Aliás, programas de calouros e reallity shows que promovem anonimos ao estrelato estão mesmo na moda.
Não gosto de Susan Boyle. E ponto final. Prefiro outros cantores que poderiam mesmo alcançar o sucesso: Ana Cristina, Aline Calixto, Pedro Morais, Makely Ka, Kristoff Silva, Weber Lopes, Maurício Tizumba, Tambolelê, entre outros tantos...
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Bonita (escrito para a Renata, é claro!)
Você é mais bonita que as estrelas
Reunidas por sobre a solidão do mar.
Você é mais bonita que você mesmo
Você é a própria beleza encarnada
Mais bonita que uma árvore chovendo
Dentro da madrugada
Você é mais bonita que não sei.
Você é mais bonita que o olhar dos amantes,
Que o primeiro raio de flor
Mais, muito mais que o diamante
Mais que qualquer brilhante
Qualquer luz e qualquer fogo.
Você é quatrizilhão de vezes mais bonita
Que um pôr –de- sol no oceano
Mais que a aurora,
Mais que a vitória
Ainda mais bonita que nem Deus saberia explicar.
Você é mais bonita que uma autoestrada
Unindo abraços distantes
Mais que o pai olhando o filho
Mais que a mãe,
Mais bonita que uma explosão de flores,
Arco-íris, tempestade de olhares
Mais infinitamente bonita que tudo
Tão mais que a palavra cala
Mais bonita que a primeira fala
Que o primeiro passo
Que o primeiro traço
Visto em ultra-som.
Você é mais bonita que o som,
Que o tom,
Que o Dom
Mais, bem mais
Que tudo que existe de bom
E mal.
Porque o mal vira bem
Quando passas de leve,
Mais bonita que um trem
Quando apita na curva e vem
Você é mais bonita que um trote
de cavalo
Mais bonita que o dote
Da donzela
Mais bonita que um galo
Cacarejando na janela
Mais bonita que a poesia
Que todas as poesias
Mais bonita que o dia
E a noite
Mais bonita que a lembrança
Do Taj Mahal,
Da Torre Eiffel
E de todo o céu.
Mais bonita que a Gal cantando qualquer música
Mais que a letra de “Camisa Amarela”
Você é mais bonita que um casamento na primavera...
Mais, muito mais,
Tão mais
Que a tinta seca.
Reunidas por sobre a solidão do mar.
Você é mais bonita que você mesmo
Você é a própria beleza encarnada
Mais bonita que uma árvore chovendo
Dentro da madrugada
Você é mais bonita que não sei.
Você é mais bonita que o olhar dos amantes,
Que o primeiro raio de flor
Mais, muito mais que o diamante
Mais que qualquer brilhante
Qualquer luz e qualquer fogo.
Você é quatrizilhão de vezes mais bonita
Que um pôr –de- sol no oceano
Mais que a aurora,
Mais que a vitória
Ainda mais bonita que nem Deus saberia explicar.
Você é mais bonita que uma autoestrada
Unindo abraços distantes
Mais que o pai olhando o filho
Mais que a mãe,
Mais bonita que uma explosão de flores,
Arco-íris, tempestade de olhares
Mais infinitamente bonita que tudo
Tão mais que a palavra cala
Mais bonita que a primeira fala
Que o primeiro passo
Que o primeiro traço
Visto em ultra-som.
Você é mais bonita que o som,
Que o tom,
Que o Dom
Mais, bem mais
Que tudo que existe de bom
E mal.
Porque o mal vira bem
Quando passas de leve,
Mais bonita que um trem
Quando apita na curva e vem
Você é mais bonita que um trote
de cavalo
Mais bonita que o dote
Da donzela
Mais bonita que um galo
Cacarejando na janela
Mais bonita que a poesia
Que todas as poesias
Mais bonita que o dia
E a noite
Mais bonita que a lembrança
Do Taj Mahal,
Da Torre Eiffel
E de todo o céu.
Mais bonita que a Gal cantando qualquer música
Mais que a letra de “Camisa Amarela”
Você é mais bonita que um casamento na primavera...
Mais, muito mais,
Tão mais
Que a tinta seca.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Carta de Vinícius de Moraes para Chico Buarque: composição de Valsinha!
De Vinícius de Moraes para Chico Buarque
Mar del Plata, 24 de janeiro de 1971
Chiquérrimo,
Dei uma apertada linda na sua letra, depois que você partiu, porque achei que valia a pena trabalhar mais um pouquinho sobre ela, sobre aqueles hiatos que havia, adicionando duas ou três idéias que tive. Mandei-a em carta a você, mas Toquinho, com a cara mais séria do mundo, me disse que Sérgio [Buarque de Hollanda] morava em Buri, 11, e lá se foi a carta para Buri, 11.
Mas, como você me disse no telefone que não tinha recebido, estou mandando outra para ver se você concorda com as modificações feitas.
Claro que a letra é sua, e eu nada mais fiz que dar uma aparafusada geral. Às vezes o cara de fora vê melhor essas coisas.
Enfim, porra, aí vai ela. Dei-lhe o nome de "Valsa hippie", porque parece-me que tua letra tem esse elemento hippie que dá um encanto todo moderno à valsa, brasileira e antigona. Que é que você acha? O pessoal aqui, no princípio, estranhou um pouco, mas depois se amarrou na idéia. Escreva logo, dizendo o que você achou.
"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito mais quente do que comumente costumava olhar
E não falou mal da poesia como mania sua de falar
E nem deixou-a só num canto; pra seu grande espanto disse: vamos nos amar...
Aí ela se recordou do tempo em que saíam para namorar
E pôs seu vestido dourado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como a gente antiga costumava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a bailar...
E logo toda a vizinhança ao som daquela dança foi e despertou
E veio para a praça escura, e muita gente jura que se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz".
Mar del Plata, 24 de janeiro de 1971
Chiquérrimo,
Dei uma apertada linda na sua letra, depois que você partiu, porque achei que valia a pena trabalhar mais um pouquinho sobre ela, sobre aqueles hiatos que havia, adicionando duas ou três idéias que tive. Mandei-a em carta a você, mas Toquinho, com a cara mais séria do mundo, me disse que Sérgio [Buarque de Hollanda] morava em Buri, 11, e lá se foi a carta para Buri, 11.
Mas, como você me disse no telefone que não tinha recebido, estou mandando outra para ver se você concorda com as modificações feitas.
Claro que a letra é sua, e eu nada mais fiz que dar uma aparafusada geral. Às vezes o cara de fora vê melhor essas coisas.
Enfim, porra, aí vai ela. Dei-lhe o nome de "Valsa hippie", porque parece-me que tua letra tem esse elemento hippie que dá um encanto todo moderno à valsa, brasileira e antigona. Que é que você acha? O pessoal aqui, no princípio, estranhou um pouco, mas depois se amarrou na idéia. Escreva logo, dizendo o que você achou.
"Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar
Olhou-a dum jeito mais quente do que comumente costumava olhar
E não falou mal da poesia como mania sua de falar
E nem deixou-a só num canto; pra seu grande espanto disse: vamos nos amar...
Aí ela se recordou do tempo em que saíam para namorar
E pôs seu vestido dourado cheirando a guardado de tanto esperar
Depois os dois deram-se os braços como a gente antiga costumava dar
E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a bailar...
E logo toda a vizinhança ao som daquela dança foi e despertou
E veio para a praça escura, e muita gente jura que se iluminou
E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouviam mais
Que o mundo compreendeu
E o dia amanheceu em paz".
Resposta do Chico (genial análise)!
De Chico Buarque para Vinícius de Moraes
Rio, 2 de fevereiro de 1971
Caro poeta,
Recebi as duas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela. Também porque, como você já sabe, o público tem recebido a valsinha com o maior entusiasmo, pedindo bis e tudo. Sem exagero, ela é o ponto alto do show, junto com o "Apesar de você". Então dá um certo medo de mudar demais. Enfim, a música é sua e a discussão continua aberta. Vou tentar defender, por pontos, a minha opinião. Estude o meu caso, exponha-o a Toquinho e Gesse, e se não gostar foda-se, ou fodo-me eu.
"Valsa hippie" é um título forte. É bonito, mas pode parecer forçação de barra, com tudo que há de hippie por aí. "Valsa hippie" ligado à filosofia hippie como você a ligou, é um título perfeito.
Mas hippie, para o grande público, já deixou de ser filosofia para ser a moda pra frente de se usar roupa e cabelo. Aí já não tem nada a ver. Pela mesma razão eu prefiro que o nosso personagem xingue ou, mais delicado, maldiga a vida, em vez de falar mal da poesia. A sua solução é mais bonita e completa, mas eu acho que ela diminui o efeito do que se segue. Esse homem da primeira estrofe é o anti-hippy. Acho mesmo que ele nunca soube o que é poesia. É bancário e está com o saco cheio e está sempre mandando sua mulher à merda. Quer dizer, neste dia ele chegou diferente, não maldisse (ou "xingou" mesmo) a vida tanto e convidou-a pra rodar.
"Convidou-a pra rodar" eu gosto muito, poeta, deixa ficar. Rodar que é dar um passeio e é dançar. Depois eu acho que, se ele já for convidando a coitada para amar, perde-se o suspense do vestido no armário e a tesão da trepada final. "Pra seu grande espanto", você tem razão, é melhor que "para seu espanto". Só que eu esqueci que ia por itens.
Vamos lá:
* Apesar do Orestes (vestido de dourado é lindo), eu gosto muito do som do vestido decotado. É gostoso de cantar vestidodecotado. E para ficar dourado, o vestido fica com o acento tendendo para a primeira sílaba. Não chega a ser um acento, mas é quase. Esse verso é, aliás, o que mais agrada, em geral. E eu também gosto do decotado ligado ao "ousar" que ela não queria por causa do marido chato e quadrado. Escuta, ô poeta, não leva a mal a minha impertinência, mas você precisava estar aqui para ver como a turma gosta, e o jeito dela gostar dessa valsa, assim à primeira vista. É por isso que estou puxando a sardinha mais para o lado da minha letra, que é mais simplória, do que pelas suas modificações que, enriquecendo os versos, talvez dificultem um pouco a compreensão imediata. E essa valsinha tem um apelo popular que nós não suspeitávamos.
* Ainda baseado no argumento acima, prefiro o "abraçar" ao "bailar". Em suma, eu não mexeria na segunda estrofe.
* A terceira é a que mais me preocupa. Você está certo quanto ao "o mundo" em vez de "a gente". Ah, voltando à estrofe anterior, gostei do último versos onde você diz "e cheios de ternura e graça" em vez de "e foram-se cheios de graça". Agora, estou pensando em retomar
uma idéia anterior, quando eu pensava em colocá-los em estado de graça. Aproveitando a sua ternura, poderíamos fazer "Em estado de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar". Só tem o probleminha da junção "em-estado", o "em-e" numa sílaba só. Que é o mesmo problema do "começaram-a". Mas você mesmo disse que o probleminha desaparece dependendo da maneira de se cantar. E eu tenho cantado "começaram a se abraçar" sem maiores danos. Enfim, veja aí o que você acha de tudo isso, desculpe a encheção de saco e
responda urgente.
* Há um outro problema: o pessoal do MPB-4 está querendo gravar essa valsa na marra. Eu disse que depende de sua autorização e eles estão aqui esperando. Eu também gostaria de gravar, se o senhor me permitisse, por que deu bolo com o "Apesar de você", tenho sido perturbado e o disco deixou de ser prensado. Mas deu para tirar um sarro. É claro que não vendeu tanto quanto a "Tonga", mas a "Banda" vendeu mais que o disco do Toquinho solando "Primavera". Dê um abraço na Gesse, um beijo no Toquinho e peça à Silvana para mandar notícias sobre shows etc. Vou escrever a letra como me parece melhor. Veja aí e, se for o caso, enfie-a no ralo da banheira ou noutro buraco que você tiver à mão.
Rio, 2 de fevereiro de 1971
Caro poeta,
Recebi as duas cartas e fiquei meio embananado. É que eu já estava cantando aquela letra, com hiato e tudo, gostando e me acostumando a ela. Também porque, como você já sabe, o público tem recebido a valsinha com o maior entusiasmo, pedindo bis e tudo. Sem exagero, ela é o ponto alto do show, junto com o "Apesar de você". Então dá um certo medo de mudar demais. Enfim, a música é sua e a discussão continua aberta. Vou tentar defender, por pontos, a minha opinião. Estude o meu caso, exponha-o a Toquinho e Gesse, e se não gostar foda-se, ou fodo-me eu.
"Valsa hippie" é um título forte. É bonito, mas pode parecer forçação de barra, com tudo que há de hippie por aí. "Valsa hippie" ligado à filosofia hippie como você a ligou, é um título perfeito.
Mas hippie, para o grande público, já deixou de ser filosofia para ser a moda pra frente de se usar roupa e cabelo. Aí já não tem nada a ver. Pela mesma razão eu prefiro que o nosso personagem xingue ou, mais delicado, maldiga a vida, em vez de falar mal da poesia. A sua solução é mais bonita e completa, mas eu acho que ela diminui o efeito do que se segue. Esse homem da primeira estrofe é o anti-hippy. Acho mesmo que ele nunca soube o que é poesia. É bancário e está com o saco cheio e está sempre mandando sua mulher à merda. Quer dizer, neste dia ele chegou diferente, não maldisse (ou "xingou" mesmo) a vida tanto e convidou-a pra rodar.
"Convidou-a pra rodar" eu gosto muito, poeta, deixa ficar. Rodar que é dar um passeio e é dançar. Depois eu acho que, se ele já for convidando a coitada para amar, perde-se o suspense do vestido no armário e a tesão da trepada final. "Pra seu grande espanto", você tem razão, é melhor que "para seu espanto". Só que eu esqueci que ia por itens.
Vamos lá:
* Apesar do Orestes (vestido de dourado é lindo), eu gosto muito do som do vestido decotado. É gostoso de cantar vestidodecotado. E para ficar dourado, o vestido fica com o acento tendendo para a primeira sílaba. Não chega a ser um acento, mas é quase. Esse verso é, aliás, o que mais agrada, em geral. E eu também gosto do decotado ligado ao "ousar" que ela não queria por causa do marido chato e quadrado. Escuta, ô poeta, não leva a mal a minha impertinência, mas você precisava estar aqui para ver como a turma gosta, e o jeito dela gostar dessa valsa, assim à primeira vista. É por isso que estou puxando a sardinha mais para o lado da minha letra, que é mais simplória, do que pelas suas modificações que, enriquecendo os versos, talvez dificultem um pouco a compreensão imediata. E essa valsinha tem um apelo popular que nós não suspeitávamos.
* Ainda baseado no argumento acima, prefiro o "abraçar" ao "bailar". Em suma, eu não mexeria na segunda estrofe.
* A terceira é a que mais me preocupa. Você está certo quanto ao "o mundo" em vez de "a gente". Ah, voltando à estrofe anterior, gostei do último versos onde você diz "e cheios de ternura e graça" em vez de "e foram-se cheios de graça". Agora, estou pensando em retomar
uma idéia anterior, quando eu pensava em colocá-los em estado de graça. Aproveitando a sua ternura, poderíamos fazer "Em estado de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar". Só tem o probleminha da junção "em-estado", o "em-e" numa sílaba só. Que é o mesmo problema do "começaram-a". Mas você mesmo disse que o probleminha desaparece dependendo da maneira de se cantar. E eu tenho cantado "começaram a se abraçar" sem maiores danos. Enfim, veja aí o que você acha de tudo isso, desculpe a encheção de saco e
responda urgente.
* Há um outro problema: o pessoal do MPB-4 está querendo gravar essa valsa na marra. Eu disse que depende de sua autorização e eles estão aqui esperando. Eu também gostaria de gravar, se o senhor me permitisse, por que deu bolo com o "Apesar de você", tenho sido perturbado e o disco deixou de ser prensado. Mas deu para tirar um sarro. É claro que não vendeu tanto quanto a "Tonga", mas a "Banda" vendeu mais que o disco do Toquinho solando "Primavera". Dê um abraço na Gesse, um beijo no Toquinho e peça à Silvana para mandar notícias sobre shows etc. Vou escrever a letra como me parece melhor. Veja aí e, se for o caso, enfie-a no ralo da banheira ou noutro buraco que você tiver à mão.
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