Orientados pela batuta do ativista cultural, professor Nilton de Souza, o popular Tim Mirim, muitos jovens escritores foram precursores da chamada Literatura Monlevadense. Eles iniciaram um movimento de valorização da produção literária local nas décadas de 70 e 80. Além de produzirem literatura, esse grupo realizava montagens tetrais e se propunha a fomentar a cultura na cidade.
No entanto, um trio formado por Joel da Páscoa, Geraldo Magela e Wir Caetano se propôs a romper com os limites de Monlevade e criou a Revista Rebu, uma espécie de revista panfleto, que tinha laços com a emergente literatura marginal, que tomava conta do cenário brasileiro. Não entendam mal. Marginal aqui tem sentido literal de estar à margem, ou seja, os escritores que não tinham editoras, criavam meios alternativos para publicação de seus trabalhos. Essa geração também ficou conhecida como geração mimeógrafo, a mesma que escrevia e editava seus textos.
A Rebu comemora 30 anos de lançamento em 2010, embora não tenha mais circulação. Ela foi a primeira revista monlevadense a criar laços com escritores de outras cidades mineiras e ainda com outros estados brasileiros. Publicando textos de outros autores, a revista tinha, já naquela época, o espírito que move as redes sociais que hoje fazem sucesso na internet: a elaboração de uma conexão direta com o cenário literário nacional.
Os outros escritores da cidade, por sua vez, reunidos no Grupo de Estudos Literários – Geo também se organizaram para publicar seus livros. Assim, Marcelo Melo, Jaqueline Silvério, João Carlos de Oliveira Guimarães, Tavim Viggiano, Will Jhony, Gehart Michalick, entre outros publicaram seus primeiros trabalhos, com grande repercussão na cidade. Tempos idos...
Tanto a Rebu, quanto o grupo do Geo contribuíram para a efervescência literária e cultural do município. Também, influenciado por essas pessoas, criei junto a um amigo, Marcio Reis, a revista Domínio Publico, em 2000, com o objetivo de divulgar textos e escritos diversos de autores monlevadenses. Inclusive os nossos! A publicação morreu na quarta edição, seguindo uma tendência nacional, de que a maioria das publicações alternativas não sobrevive até o quinto numero. C´est la vie!
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Memória III - Os Escritores
terça-feira, 8 de junho de 2010
Memória II
A memória é o essencial, como já disse Jorge Luís Borges. E o monlevadense tem isso como um bandeira. A lembrança dos prédios da cidade alta, da praça, do comercio e de toda aquela vida que havia no entorno da usina, ainda está viva e corre nas veias da cidade, apesar de terem se passado muitos anos.
O memorialismo é tão pulsante, que já ouvi muita gente falando “a minha Monlevade não existe mais”. E isso me incomoda um pouco porque o saudosismo em excesso pode ser prejudicial. Lembrar o passado com tanta avidez é, sim, uma forma de não pensar o futuro. A impressão é a de que o monlevadense ama tanto aquela cidade perdida, que não consegue amar a atual, não consegue fazer o presente progredir. Fica preso ao passado, sem querer buscar o futuro.
Mas entendo. Depois que a cidade alta acabou, criou-se uma lacuna. Um espaço vazio que jamais será preenchido ficou aberto e a memória vem para consolar o fim daquele período. No entanto, é preciso refletir: se aquele bairro não tivesse acabado, estaria de pé até hoje? Será que as faculdades, as rádios, os centros de discussão e fomento ainda seriam na Praça do Mercado? O hipermercado seria construído ali, próximo ao Armazém do Geo? Seria mesmo possível?
Não, certamente, não seria. Mas como os monlevadenses (os que nasceram entre as décadas de 40 e 60) perderam o espaço de sua infância, perderam as referencias de onde estudaram, de onde namoraram de onde trabalharam, surgem as memórias como um amparo de (re) construção de todas essas vidas.
Se a cidade alta continuasse viva, é bem provável que ela estivesse esvaziada, carente de atenção e de investimentos, como hoje está todo o centro industrial. O desenvolvimento não respeita a memória quando faltam políticas de preservação e uma população consciente de seu papel no cuidado com o seu patrimônio.
O que a memória amou fica para sempre. E, por isso, o passado permanece vivo por meio de tantas saudades e lembranças. O fim da cidade alta é uma ferida na alma monlevadense que nunca vai ser fechada. E ela é tão forte, quanto a imagem de um aleijado sentindo dores no braço que já perdeu.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Artigos
Com o texto que se segue, inicio no jonal A Noticia, uma série de artigos que pretendo elaborar sobre o memorialismo do monlevadense. A relação da cidade com o seu passado recente é muito forte e interessante. Espero, depois, reuni-los num livro, quem sabe? Toda sexta, na coluna ComTexto do jornal. Não perca!
Memórias I
Começo a esboçar aqui, uma série de artigos sobre a memória em João Monlevade. São hipóteses, apenas isso. Mas acho interessante destacar a relação do monlevadense com o memorialismo. É algo muito forte e presente no cotidiano da cidade.
Há jornais como o Morro do Geo, do amigo Marcelo Melo que se propõe a resgatar a memória e a história da cidade; há fotografias do passado transformadas em baner’s e expostas no hipermercado; há também muitos artigos de professores e historiadores publicados em revistas e jornais; há o amigo Francisco de Paula (Barcelona) que coleciona fotografias e publicações diversas da cidade, há o também gente boa escritor Francisco Bernardino (Franber, do Real) que conta causos do passado da Usina, há as ações de resgate do Floresta Clube (em nome da memória do que o clube já foi um dia), há o centro de Cultura e Memória da ArcelorMittal, que preserva registros diversos da Usina de Monlevade, além do Circuito Histórico (composto pelo Cemitério, pelo Solar, pelo Centro de Cultura e Memória e pelo Museu do Ferro e Aço), há o acervo do Projeto Resgate da Memória, fomentado pela Acimon e, sobretudo, estão vivas nas pessoas, as histórias do passado recente da cidade.
E é isso que chama a minha atenção: Por que uma cidade de apenas 46 anos de fundação tem um memorialismo tão pulsante na artéria? Claro que não se pode descartar a chegada do francês Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade, há quase duzentos anos. Escrevi um romance histórico sobre a vida de Jean no Brasil, de sua chegada ao Rio de Janeiro em 1817 e sua morte, em 1872, mas não encontrei registros de sua chegada a essas terras. Acredito que tenha sido entre os anos de 1820 e 1822. Em 1827, além do casamento com Clara Sofia de Souza Coutinho, ele aumenta a produção da sua forja catalã com maquinário vindo da Inglaterra. Mas isso é assunto para outros artigos dessa série.
Bem, como o espaço finda, afirmo, seguramente, que o memorialismo do monlevadense é latente por causa da extinção do bairro Cidade Alta, de seus monumentos, suas praças e seus mercados. O fim daquela vida, a extinção de casas onde a maioria das pessoas com mais de 40 anos desta cidade passou a infância, é o gatilho para essa onda do resgate da memória municipal. Em outros artigos, sigo falando desta hipótese. Até.
No twitter, usando da velocidade pós-moderna e a praticidade dos 140 caracteres, também arrisco uns palpites por meio do @eriveltonbraz. Quem quiser seguir, siga!
Do Pessoa
Quanto a mim, o amor passou! Eu só lhe peço que não faça como gente vulgar e me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos um perante o outro, como dois conehcidos que se amaram muito quando meninos, embora na vida adulta sigam outras afeições, conservam no escaninho da alma, a memoria do seua amor antigo e inúltil.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Pergunta que nao cala

Por que Itabira não faz, anualmente, um seminário literário sobre Carlos Drummond de Andrade, filho ilustre e um dos maiores poetas de Língua Portuguesa? O evento reuniria estudantes, palestrantes, professores, entre outros, que pudessem trabalhar aspectos sobre sua obra. Itabira só ganharia com isso.
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